Eu tinha 2 anos quando minha família se mudou para o Edifício Marechal Tromposwky, às margens do Guaíba. Um de nossos primeiros vizinhos no prédio recém-inaugurado foi Sérgio Jockyman. Ele não ficou muito tempo, de forma que minhas recordações dele morando lá são um tanto nebulosas. Lembro dele no elevador, lembro do filho dele, André, visitando meus irmãos, e lembro também da esposa dele, Simone, com quem hoje tenho contato pela Internet.
Sérgio Jockymann, a exemplo de Cid Pinheiro Cabral, foi um dos primeiros jornalistas gaúchos a assumir publicamente sua paixão clubística: era colorado doente. Quando o Inter foi Campeão Brasileiro pela primeira vez, em 1975, ele não disse uma palavra durante o seu espaço no Jornal do Almoço. Apenas deixou rodando a sua cortina ("Rossana", da trilha do filme "Sete Homens de Ouro" - ver segundo vídeo abaixo) e ficou sorrindo e gesticulando. Foi também teatrólogo e roteirista para a televisão, em especial para a rede Tupi. Alguém deveria escrever sua biografia e contar as muitas histórias curiosas que ele vivenciou. Como, por exemplo, quando aproveitou o aviso prévio que Antônio Fagundes teria que cumprir para gravar todas as suas cenas da novela "O Machão" antes da saída do ator para a Globo.
Assisti algumas vezes ao "Meio-Dia", programa que Jockymann ancorou em 1977 na TV Piratini (da Rede Tupi), o qual rivalizava com o Jornal do Almoço (da TV Gaúcha, hoje RBS TV) e o Portovisão (da TV Difusora, hoje Band TV Porto Alegre). Outra passagem marcante para mim foi quando Jockymann lançou o seu semanário, o RS, na segunda metade dos anos 80. Eu gostava daquele jornal. Na cobertura do caso Daudt, foi praticamente o único veículo a defender o acusado, que veio a ser absolvido no processo. Jockymann ainda estava com o RS quando se candidatou a Prefeito de Porto Alegre em 1988 pelo Partido Liberal (ver primeiro vídeo abaixo). Enquanto as pesquisas apontavam Antônio Britto como provável vencedor, o semanário duvidava. E estava certo: Jockymann não se elegeu, mas quem chegou lá foi Olívio Dutra.
Para a geração Internet, Jockymann é mais conhecido como o verdadeiro autor de "Os Votos", crônica que ele publicou na Folha da Tarde de 30 de dezembro de 1978, mas circula como sendo de Victor Hugo (com algumas alterações e o título de "Desejo"), tendo sido adaptada na letra de "Amor Pra Recomeçar", de Frejat. Mesmo depois de este Blog ter reproduzido a página em que aconteceu a publicação (ver link ao final deste tópico), alguns teimosos ainda relutam em aceitar que o texto é realmente dele.
O lançamento em DVD do filme "Dias e Noites", adaptado de seu livro "Clô, Dias e Noites", inclui um depoimento dele. Mas eu tenho um vídeo de meu acervo para mostrar: um trecho da campanha política de 1988. Não está completo, infelizmente. Mas Jockymann não tinha muito tempo, de qualquer forma, e ainda preenchia os segundos iniciais de seu espaço executando o seu "tema" (citado acima) de um pequeno gravador. O que ele diz no começo, que mal se ouve, é que ele era candidado do Partido Liberal "a um milagre".
E aqui está o "tema do Jockymann", graças à dica de Jorge Ricardi:
Sérgio Jockymann faleceu ontem, em Campinas, de insuficiência renal. Muita força à amiga Simone e a toda sua família.
Leia também o tópico sobre o texto erradamente atribuído a Victor Hugo clicando aqui.